Primeiros passos em renda fixa
Como a renda fixa funciona, onde ela fica, o que se paga de imposto e um roteiro para dar os primeiros passos sem susto.
O que é renda fixa
Em renda fixa, você empresta dinheiro — para o governo, um banco ou uma empresa — e recebe de volta com juros. A regra do rendimento é definida na largada: por isso "fixa". Não quer dizer que o valor não oscila no meio do caminho (mais sobre isso adiante), e sim que, se você levar até o vencimento, sabe a fórmula do que vai receber.
É o oposto da renda variável, em que você vira sócio (ações, fundos imobiliários) e o retorno depende do desempenho do negócio.
Pós-fixado, prefixado e IPCA+
Toda aplicação de renda fixa cai em um destes três tipos, pela forma como o juro é definido:
- Pós-fixado: rende um percentual de um índice que varia no tempo, quase sempre o CDI — "100% do CDI", "110% do CDI". Você não sabe o número final, mas acompanha os juros da economia. É o tipo da reserva e do dinheiro de curto prazo.
- Prefixado: a taxa é travada em um número na largada — "13% ao ano". Você sabe exatamente quanto terá no vencimento. Bom quando se acredita que os juros vão cair; ruim se subirem e o seu dinheiro ficar preso na taxa antiga.
- IPCA+: paga a inflação (IPCA) mais uma taxa real fixa — "IPCA + 6%". Garante ganho acima da inflação seja qual for ela. É o tipo dos objetivos de longo prazo, como aposentadoria.
O glossário detalha a diferença entre taxa nominal e real, e o conversor de taxas passa uma taxa de uma unidade para outra.
Tesouro, bancos e empresas
A renda fixa muda de nome conforme quem pega o dinheiro emprestado:
- Tesouro Direto: você empresta para o governo federal. Tesouro Selic (pós-fixado), Prefixado e IPCA+. É o de menor risco de crédito do país e tem liquidez diária.
- CDB, LCI e LCA: você empresta para um banco. O CDB é tributado; a LCI e a LCA são isentas de imposto de renda para pessoa física. Os três têm a proteção do FGC até R$ 250 mil por instituição.
- Debêntures: você empresta para uma empresa. Sem FGC, então o risco de crédito pesa mais. As debêntures incentivadas (de infraestrutura) são isentas de imposto de renda.
Para comparar as taxas de CDB que as instituições informam no Open Finance, veja os melhores CDBs.
Imposto e custos
Na renda fixa tributada (Tesouro, CDB, debênture comum), o imposto de renda incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor aplicado, e é retido no resgate. A alíquota cai com o tempo — a tabela regressiva:
- 22,5% — até 180 dias
- 20% — de 181 a 360 dias
- 17,5% — de 361 a 720 dias
- 15% — acima de 720 dias
Há ainda o IOF, que zera o rendimento nos primeiros dias e some por completo depois de 30 dias — na prática, evite resgatar no primeiro mês. No Tesouro Direto, a B3 cobra 0,20% ao ano de custódia sobre o saldo. Boas corretoras não cobram taxa para investir em Tesouro nem em CDB.
Isentos de imposto de renda para pessoa física: LCI, LCA, CRI, CRA, debêntures incentivadas e a poupança. Por isso uma LCI de 95% do CDI pode render mais, no bolso, do que um CDB de 105%. O comparador de renda fixa faz essa conta já no líquido.
Liquidez e marcação a mercado
Liquidez é a rapidez com que você transforma a aplicação de volta em dinheiro sem perder valor. Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária devolvem o dinheiro no mesmo dia ou em D+1. Outros só no vencimento — ou antes, mas pelo preço de mercado.
É aí que entra a marcação a mercado: entre a compra e o vencimento, o preço de um título prefixado ou IPCA+ sobe e desce conforme os juros da economia. Se você segura até o fim, recebe o combinado; se vende no meio, pode ganhar ou perder em relação a isso. Títulos pós-fixados quase não sofrem esse efeito — mais um motivo para a reserva ficar em Tesouro Selic ou CDB pós-fixado.
Como comparar duas aplicações
Três regras resolvem quase todos os casos:
- Compare sempre no líquido. Traga tudo para "depois do imposto e das taxas". Um número isento e um número tributado não se comparam direto.
- Ponha na mesma unidade. "112% do CDI", "IPCA + 6,5%" e "13,8% ao ano" só se comparam depois de converter para uma base comum — o conversor de taxas faz isso.
- Case o prazo com o objetivo. Dinheiro que pode ser preciso a qualquer momento pede liquidez diária, mesmo rendendo um pouco menos. Dinheiro com data certa pode ir para um vencimento que pague mais.
Um roteiro para começar
Uma ordem que funciona para a maioria:
- 1. Reserva de emergência primeiro. De 3 a 12 meses de custo de vida em Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária que pague perto de 100% do CDI. A calculadora de reserva dimensiona o valor.
- 2. Objetivos com data. Para uma meta em 2, 5 ou 10 anos, um título que vença perto dessa data — prefixado se quiser previsibilidade, IPCA+ para blindar da inflação.
- 3. Só então prazos longos sem data. Aqui a renda fixa divide espaço com renda variável, conforme o seu perfil. O simulador de juros compostos mostra o efeito do tempo.
Nada aqui é recomendação de investimento — é o mapa do terreno para você decidir com mais contexto.